A EDUCAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE ELABORAÇÃO: ENTRE MEMÓRIAS E EXPERIÊNCIAS

  • José Mauro de Oliveira Braz Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO
  • Francisco Ramos de Farias Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO
Palavras-chave: Memória, Educação, Segregação.

Resumo

O presente artigo objetiva abordar a educação como mecanismo de reconhecimento de determinadas categorias sociais que são historicamente excluídas. Por intermédio da reflexão de cunho sócio-histórico, procura-se demonstrar que a exclusão repetitiva de determinadas categorias sociais não é uma experiência, mas sim fruto de uma memória transmitida de geração em geração. Desta forma perpetua-se a marginalização social de pessoas em função de seus traços diferenciados, no que concerne a uma classe considerada normal. No contexto de instituições que segregam, encontra-se historicamente a escola, que como um aparelho ideológico por excelência, não tem se voltado para elaborar as memórias que reforçam a exclusão. Com isso legados institucionais são assimilados e funcionam para a manutenção da exclusão a medida que fomentam estereótipos e estigmas. Apesar de encontrar-se em uma posição de indiferença em relação aos segregados, a escola pode surgir como um atenuante da exclusão e da segregação, onde, por intermédio da ação da pedagogia democrática, hoje concebida como pedagogia crítica, poderá construir um ambiente de convivência mais harmonioso entre categorias sociais que ainda nos dias atuais, são segregadas.

Biografia do Autor

José Mauro de Oliveira Braz, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO
Doutorando em Memória Social pelo Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Pedagogo, com licenciatura plena, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisador participante do projeto A construção da Memória da Educação Prisional do Estado do Rio de Janeiro sendo também bolsista DS da CAPES. Durante três anos e meio foi bolsista de Iniciação Científica (CNPq) no projeto A Construção de narrativas acerca da Memória Social no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho. Participação em eventos nacionais e internacionais com apresentação de trabalhos e publicação em anais. Tem como áreas foco de pesquisa a Educação em prisões, Educação de Jovens e Adultos e Legislação Educacional. Publicação de artigos em periódicos internacionais e nacionais e capítulos de livro. Na graduação realizou estágio na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, na qual posteriormente continuou a se aprofundar nas temática da educação. Atualmente é suplente da Comissão de Educação no Fórum Estadual de Educação. Possui experiência na organização de audiências públicas e eventos acadêmicos, bem como na construção de legislação da área educacional.
Francisco Ramos de Farias, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO
Bacharel e Psicólogo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1978), Especialista em Psicologia Clínica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mestre em Psicologia, área Motivação e Aprendizagem pela Fundação Getúlio Vargas - RJ (1983) e Doutor em Psicologia, área Psicologia Cognitiva, pela Fundação Getúlio Vargas - RJ (1987). Bolsista de Produtividade em Pesquisa 2. Atualmente é consultor Ad Hoc da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), professor associado da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, do Departamento de Fundamentos da Educação e do Programa de Pós-Graduação em Memória Social, Ex-editor responsável do periódico Actas Freudianas da Sociedade de Estudos Psicanalíticos de Juiz de Fora, Ex-diretor de cultura, pesquisa e publicações da Sociedade de Estudos Psicanalíticos de Juiz de Fora. Consultor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Assessor Científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Publicou pela Editora Revinter: Histeria e Psicanálise, A pesquisa nas ciências do sujeito e Psicose: ensaios clínicos; pela Editora 7Letras: Por que, afinal, matamos?; pela Editora Contracapa: Apontamentos em Memória Social; pela Editora Juruá: Trauma, Memória e Violência em coautoria com Glaucia Regina Vianna e pela Editora Lumen Juris: Punição e Prisão: ensaios críticos em coautoria com Lobelia da Silva Faceira. Participou de bancas de concursos públicos, de dissertações e teses. Apresentou em programas jornalísticos de televisão (Rede Globo, TVE, CNT) a pesquisa sobre criminalidade, violência e trauma. Apresentou matérias em jornais e seminários. Pesquisa atualmente sobre a temática violência, educação prisional, trauma e memória social. Participação em congressos nacionais e internacionais. Publicações em periódicos nacionais e internacionais. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Intervenção Terapêutica, atuando principalmente nos seguintes temas: crime, desejo, memória social, criminalidade e perversão.

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Publicado
2016-12-29