Espaço, Memória e Patrimônio: a vivência do evento e o compartilhamento do trauma

Leandro Roberto Neves

Resumo


Este texto condensa um conjunto de reflexões da pesquisa de doutorado. Tal trabalho tem como objetivo discutir as perdas materiais e imateriais após a enchente que atingiu o município de São Luiz do Paraitinga no Estado de São Paulo, ocorrida nos primeiros dias do ano 2010. A catástrofe ambiental ocasionou, no funcionamento da cidade, uma situação caótica, pois destruiu edificações tombadas como patrimônio histórico, habitações comuns, vias de acesso, comércio e outros. Todos localizados em áreas próximas ao rio Paraitinga. A perda total dos objetos pessoais, tais como utensílios domésticos, documentos, fotografias e moradia, possibilitaram a construção do pressuposto que a destruição material do espaço ocupado fomentou temporariamente a descontinuidade (Lefebvre, 2006), na dinâmica socioprodutiva da cidade e a profusão dos sentimentos de incerteza e desesperança nas famílias vitimadas. Nesse contexto, foi possível apreender via um procedimento etnográfico, preocupações da população atingida que envolviam a superação das perdas materiais e imateriais provocada pelo evento crítico (Das, 1995), a reestruturação das edificações históricas e, sobretudo o compartilhamento da memória social (Halbwachs, 2011) do trauma, no qual, em seu bojo, podem-se perceber experiências derivadas das relações entre espaço, edificação (patrimônio) e corpo (memória) em um contexto fortemente marcado pela tradição.

Palavras-chave


Espaço; Memória; Catástrofe

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Revista Ciências Humanas - eISSN: 2179-1120




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