Educando sensibilidades: publicização e debate no espaço universitário sobre o documentário “sem pena ”

  • Marta Gouveia de Oliveira Rovai Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/MG)
  • Rafael Lima Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/MG)
Palavras-chave: Documentário. Cárcere. (In)justiça. História. Sensibilização

Resumo

Este artigo apresenta parte da pesquisa “Memórias silenciadas: análise das narrativas orais e fílmicas sobre justiça e cárcere no documentário ‘Sem Pena’”, enfatizando o processo paralelo ao estudo, que tem sido a tentativa de proporcionar a divulgação do filme e o debate entre os estudantes da Universidade Federal de Alfenas (MG), procurando “educar as sensibilidades” quanto às condições dos apenados no Brasil. Além de compreender o universo prisional e as noções de crime e justiça, por meio de narrativas orais de detentos e ex-presos, o documentário produzido pelo diretor Eugenio Gruppo, em 2014, também procura dar escuta a familiares, policiais e especialistas. No contexto da história do tempo presente, entendemos que as imagens fílmicas e discursos apresentados sejam reveladores da problemática histórica das prisões e da (in)justiça no Brasil, que tem no espaço da penitenciária apenas um dos icebergs da complexa realidade de oposições e contradições sociais. Assim, torna-se importante perceber o documentário como fonte histórica produzida em determinado contexto e também entender os discursos nele apresentados e organizados como construção de uma memória coletiva (a prisional, em especial) marcada pela ambiguidade perpetrador/vítima, e como parte da formação de identidade carcerária, procurando fazer-se visível frente à sociedade que, muitas vezes, tem ignorado o direito à defesa e à vida. Nesse sentido, entendemos que, mais do que uma pesquisa, o filme pode contribuir para a sensibilização da comunidade acadêmica, colaborando para romper preconceitos e mobilizar a Universidade em torno da exigência de políticas públicas mais efetivas sobre os direitos humanos.

Biografia do Autor

Marta Gouveia de Oliveira Rovai, Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/MG)
Professora Adjunta da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL). Estagiária de Pós-Doc pela Universidade Federal Fluminense. Doutora em História Social, pela Universidade de São Paulo. Foi professora substituta na Universidade Estadual do Piauí (UESPI). É pesquisadora do Núcleo de Estudos em História Oral (NEHO), da Universidade de São Paulo, do Núcleo de Pesquisa Cidade, Cultura e Identidade (CCI), da UESPI e líder do Grupo de Pesquisa História do Brasil: memória, cultura e patrimônio, na Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL). É integrante da Rede Brasileira de História Pública. Possui Mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1998), tendo pesquisado sobre a juventude durante o Estado Novo. Foi professora da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e da Universidade Bandeirante. Atuou no Ensino Médio e foi formadora de Professores no Instituto Qualidade de Ensino (IQE), em Recife e Teresina. Faz parte da comissão editorial e da produção executiva das revistas Oralidades e História Agora e do Conselho Editorial da Revista Vox Musei. Atuou em oficinas e formação de professores de escola pública.É autora de artigos e livros ligados à História Oral, Ditadura Militar, História Pública, relações de gênero e educação. Tem experiência na área de História, com ênfase em estudos sobre história oral, atuando principalmente nos seguintes temas: memória - greve de 1968 - relações de gênero - história de vida - prática de ensino - Ditadura Militar - patrimônio cultural. Fez parte de projeto de pesquisa sobre museu, memória e patrimônio histórico e cultural, no Delta do Parnaíba, pela Universidade Federal do Piauí e é consultora externa de projeto sobre cultura imaterial e eco-museu de pescadores em Arraial do Cabo, pelo Instituto de Psicologia da USP
Rafael Lima, Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/MG)
Concluinte do curso de História da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/MG), membro do grupo de Pesquisa História do Brasil? memória, cultura e patrimônio.
Publicado
2015-06-30